Depende muito da cidade, da categoria do motorista e da estratégia da Uber. Pelas notícias recentes, existem sinais mistos: em alguns lugares a Uber está tentando melhorar incentivos para segurar motoristas; em outros, estudos mostram que as novas regras aumentaram a fatia da empresa e reduziram o ganho real do motorista.
No Uber Brasil, por exemplo, a Uber lançou em 2026 um novo modelo do Uber Pro em cidades selecionadas, prometendo ganhos extras de até 15% para categorias Ouro, Platina e Diamante. As cidades mencionadas incluem Porto Alegre, Recife, Londrina, Aracaju, Itajaí e São Carlos.
Mas isso tem alguns detalhes importantes:
- o bônus vale só para certas categorias;
- exige alta taxa de aceitação e atividade;
- normalmente favorece quem roda muitas horas;
- não muda os custos do motorista (combustível, manutenção, seguro, depreciação).
Então, para motoristas muito ativos e estratégicos, pode melhorar o faturamento bruto. Para quem roda poucas horas, o ganho líquido pode continuar apertado.
Já no Reino Unido, pesquisas recentes sobre a tarifa dinâmica mostraram o contrário: depois da mudança no sistema de pagamentos em 2023, os motoristas passaram a receber menos por hora enquanto a Uber aumentou sua retenção em várias corridas. Em alguns casos, a empresa teria ficado com 40% a 50% do valor pago pelo passageiro.
O estudo aponta alguns efeitos negativos:
- mais tempo parado esperando corrida;
- menor previsibilidade;
- corridas caras nem sempre significam ganho maior para o motorista;
- aumento do preço para o passageiro sem repasse proporcional.
Ao mesmo tempo, plataformas de transporte no mundo inteiro estão indo para modelos cada vez mais “algorítmicos”, com:
- bônus personalizados;
- metas;
- prioridade para motoristas mais ativos;
- assinaturas ou programas premium;
- subsídios temporários em cidades com falta de motoristas.
Na prática, hoje parece existir um padrão:
Onde pode valer mais a pena
- cidades com alta demanda constante;
- aeroporto e horário corporativo;
- motoristas que conseguem manter status alto no app;
- regiões onde há poucos motoristas disponíveis;
- horários com dinâmica forte.
Onde tende a piorar
- cidades saturadas;
- regiões com muito trânsito e corrida curta;
- quando a Uber aumenta retenção “invisível”;
- quando o motorista depende só da Uber;
- horários sem dinâmica.
No Brasil, muitos motoristas relatam que o segredo deixou de ser “rodar muito” e virou:
- escolher horários;
- usar múltiplos apps;
- evitar corridas ruins;
- controlar custo do carro;
- aproveitar incentivos temporários.
RESUMINDO:
- Em algumas cidades, as novas regras podem melhorar o faturamento bruto para motoristas mais estratégicos.
- Mas, olhando o cenário internacional recente, a tendência geral ainda parece favorecer mais a plataforma do que o motorista, principalmente quando os algoritmos ficam menos transparentes.






